A procura pela solução da
crise na escola tem suscitado a necessidade de a escola se apropriar de novas
organizações que supere os seus problemas mais clássicos, a saber: a reprovação
e a evasão escolares.
Acredita-se que o âmago da
questão jaz na visão de que a escola desde suas primeiras ações era tida como
privilégio de poucos, portanto excludente desde a sua origem. Desta ordem
construiu-se a educação de forma seriada que tacitamente respondia àquela
situação de exclusão, dada a forma com que tratava a clientela a qual, desde a assunção da
educação como direito, era submetida a se adequar aos seus processos de
ensino-aprendizagem, que, desta forma, reproduzia os mesmos meios existentes quando a educação ainda não era direito – obrigação do estado.
Apresenta-se nesse contexto
de crise escolar, por conta de exclusão ou reprovação, uma nova formatação
escolar. Uma modalidade que busca o resgate do mote educação como direito e não
como privilégio. Ciente de a educação por ciclos afastar a reprovação, já que o
ensino fica contínuo. Implica dizer que o aluno não precisa desenvolver uma
competência em um dado ano, e ser reprovado por não contemplar o
desenvolvimento daquela competência. Grosso modo, o aluno voltaria a
desempenhar a competência em todo o processo e não apenas em um ano. Destarte, a
escola em ciclos deixa de penalizar o educando com a malfadada reprovação
anual, e menos desestimuladora. Mesmo
não sendo uma equação certa, presume-se que menos reprovação implicaria menos
evasão. Delineia-se, portanto, nessa proposta, se bem planejada e articulada,
uma escola mais democrática da qual o educando sinta-se pertencente e não
apenas o beneficiário de um sistema tido como sendo para poucos.
O
problema que se pode aventar é a síndrome do trocar seis por meia-dúzia, mudar
o sistema seriado pelo sistema em ciclos e não exaurir o pensamento ainda subliminar da educação como favor ou privilégio. Os ciclos devem ser empregados
com um debate amplo da comunidade escolar e local com a oitiva das instâncias
colegiadas da unidade de ensino, a fim de se desvencilhar da “velha estrada”,
que, passadas várias gerações, não tem conseguido suplantar suas mazelas.
É preciso, primeiro de tudo,
que os ciclos não sejam uma proposta meramente substitutiva, porque “esteja na
moda”, é necessário preparar também a estrutura da escola para que o
acolhimento da proposta não esbarre em questões de ordem administrativa ou
estrutural. Ou melhor, é preciso preparar o corpo, a estrutura escolar; para
depois receber a alma, o projeto em ciclos.
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