Quando se analisa a qualidade
da educação, percebe-se que é resultante de uma sólida formação dos educadores.
Qualidade implica o enfrentamento do processo de mudança que se mundializa.
Não se deve desisitir de
um sonho. A utopia é o âmago mais intimista da pessoa humana quando se busca a
idealização factível de uma realidade qual seja a perseguição de uma meta que
produza benefício para toda uma coletividade. A educação, quando a tônica em
questão é essa utopia, se apresenta como sendo uma instância mais frutífera
para se colocar em ação a concretização de um sonho. Não um sonho pessoal,
individual, mas que todos os entes dessa instância sejam, além de co-referentes
também protagonistas da incansável labuta da contemplação da transformação do
sonho em realidade.
Diga-se, a priori, que o
sonho não pode ser “um sonho que se sonha só”, porém “um sonho que se sonha
junto”, desse modo deve-se apagar as paixões particulares, seus caprichos, e a
insistente monocracia que parece ser a primeira sensação que brota nos corações
humanos, e, que se não controlada, mostra-se avassaladora e destoante da aqui
pretendida e muito mais nobre que é, diga-se de forma paralelística, a paixão
coletiva.
Ninguém se engane que a
democracia seja a melhor das hipóteses. Até porque uma maioria tem preferência
sobre uma minoria. Digamos que seja a menos cruel; menos cruel porque não é de
tudo saudável que uma minoria tenha seus anseios frustrados pelo crivo da
maioria, pois não se pode ter certeza que a maioria é que esteja com a razão ou
que a minoria seja vencida pela suposta inconsistência, impossibilidade ou fragilidade
de suas propostas. O que é um tanto pior, e já se pôde verificar na história da
humanidade, que uma minoria oligárquica se invista de poder e sua parcialidade
inerente subjugue toda uma coletividade desapontando também a maior parcela de
uma coletividade que se sente inferiorizada pelas ações intolerantes daquela
outra.
A democracia veio deste a
antiguidade dar cabo ao poder hereditário e vitalício da monarquia absoluta. Vindo
portanto a contemplar a vontade coletiva ou social em detrimento da vontade, ou
mesmo capricho, da vontade da nobreza, como é explicado em (BRASIL. MEC, p. 5):
Mas qual a razão de ser e a
função da norma instituída, da “lei”? Desde que surgiram a “polis” grega e a “citas”
romana, quando a relação entre humanos deixou de ser regulada pelos laços de consanguinidade,
pelo princípio da “linhagem”, afirmou-se o princípio da cidadania como condição
de relação com o outro, da relação entre sujeitos de direitos. Os
direitos-deveres nascem dos valores e das “significações” do imaginário
coletivo, que estabelece a identidade cultural e política e a cidadania de um
povo e que define os objetivos sociais.
A democracia na escola,
portanto, deve ser colocada em pauta de modo que seja temperada para que possa
minimizar as injustiças praticas até mesmo sub-repticiamente tanto por um ou outro
indivíduo que participa da construção que seja denominada coletiva.
É nesse tom que se procura
uma forma mais salutar de que haja a participação equânime de todos os entes da
comunidade escolar que se aventou a ideia de se criar órgãos colegiados para
assegurar a contribuição de todos.
O gestor escolar é o
agente que mais deve se policiar sobre a execução da gestão democrática na
instituição escolar, tendo todo um cuidado para que sua fala e suas ações
estejam pautadas no que se refere a necessidade de se despir da prática antes
comum que é a monocracia do diretor, bem explicada em .(SOUZA, 2009, p. 5):
Não
parece possível erradicar o autoritarismo sendo autoritário, construir o
diálogo sendo demagógico, superar a violência agindo de forma preconceituosa.
As pessoas na escola utilizam, muitas vezes, sua autoridade para definir o
correto e o incorreto, atrelando àquele, por exemplo, a atitudes de controle e
até de submissão e este, a atitudes de subversão.
O que também nos elucida sobre essa situação corriqueira (Galina, p.4):
Não
poderíamos, pois, falar da gestão democrática da escola, sem citar os
relacionamentos e a hierarquia de poderes no interior das mesmas. Hoje, já
podemos constatar uma maior distribuição de tarefas no interior das escolas, mas
nem sempre isso acontece de maneira democrática. De um lado, em muitas escolas,
o diretor ainda é considerado autoridade máxima e o único com autonomia para
tomar as decisões necessárias.
Esse autoritarismo parece insistir
renitentemente em permanecer, em alguns casos mascarados em outros explicitos,
no âmbito escolar. Fica até desanimadora a hipótese de que a gestão democrática
fique de fato restrita a uns poucos casos e que na maioria das situações
permaneça o que ainda nos ensina Ângelo Ricardo:
Porém,
parece que há dificuldades para a constituição dessa educação política e, pior,
em seu lugar parece haver a constituição de elementos de reprodução do
autoritarismo pela própria educação escolar. A escola, como todas as demais
instituições, está solidificada pelos mesmos princípios instituidores da
sociedade, uma vez que é parte dela, instituinte dela e instituída por ela.
Dessa maneira, expressa formas de manutenção e reprodução da cultura muito
próximas do que acontece fora dos seus domínios. Essa contradição, de ser
adaptadora e reprodutora da sociedade e, ao mesmo tempo, permitir condições de
superação da sociedade pelos indivíduos, não é verdadeiramente o problema,
mesmo porque o próprio ato educativo formal, como desenhado ao longo da
modernidade, é um fenômeno de repetição do antigo e de construção do novo,
constantemente.
Para quebrar essa ótica e
buscar a tão propalada gestão democrática agrega-se o que postula Galina (2000,
p.4):
Podemos
dizer, então, que falar de gestão democrática é falar em governar com a
participação do povo e para o povo. No âmbito da educação, essa modalidade de
gestão é caracterizada pelo envolvimento da comunidade, cuja participação se
realiza por meio das instâncias colegiadas, que começam a ganhar força a partir
da década de 80.
Não pode-se esquecer tampouco
minimizar a importância e a necessidade de pioneirismo da figura do gestor.
Considerá-lo como um dos indivíduos que compõem a comunidade geral não implica
omitir a sua importância central nesse processo democrático nos
estabelecimentos de ensino como nos ensina Galina (2000, p.4):
A autora
Abranches (2003, p.14) esclarece que esse novo modelo de administração não deve
ser confundido com co-gestão, pois o diretor continua sendo a autoridade
responsável pela escola. A diferença é que, para administrar a escola, ele pode
contar com o apoio de outras pessoas, representantes nos colegiados, que, nas
decisões essenciais e nos projetos da unidade escolar, em seus vários níveis,
demonstrem ter os mesmos interesses e objetivos. Cada colegiado tem espaços de
participação bem definidos nos documentos que o regularizam. Para entendermos
melhor esses espaços e sua importância para a gestão escolar, abordaremos, de
forma sintética, o conceito e as principais atribuições de cada colegiado.
Uma instituição para ser
tal qual ela se baseie em um modelo que se considere de gestão democrática
deve, até por isso, passar por vários momentos de reanálise dos entes que a
desenrolaram no tocante ao seu momento presente. A avaliação institucional deve
então acontecer, isso é bem razoável, de forma também coletiva para que se tenha
a dimensão do projeto construído, a fim de as distorções serem dirimidas e com vistas a levar a cabo um projeto exitoso. É salutar que nessa oportunidade
sejam também consideradas as formas já afixadas e o que pode ser adotado quando
o objeto é a avaliação da aprendizagem. Procura-se portanto uma avaliação que
contemple o educando como um ser muito além do que se possa medir por números,
abordando todo aspecto humano do educando numa visão holística da pessoa
humana, calcado na ideia de ver o homem ser imensurável e imprevisível. Contudo sem
abolir uma avaliação quantitativa nesse processo.
Uma ação educativa
consequente procura observar em sua própria maneira de agir, os fundamentos e o
sentido a partir dos quais ela mesma se articula. Sobretudo, para efeitos de
uma elaboração de um documento como o Projeto Político Pedagógico, é de
fundamental importância uma escola escutar atentamente o que dizem aqueles
que a fazem cotidianamente. As teorias que estruturam as ações dos educadores
nem sempre são claras e distintas para todos, nem todos conseguem fazer uma
leitura crítica do sentido de sua própria ação. Nesse sentido, optou-se por
elaborar esta versão do Projeto Político desvelando sentidos, compreensões e
práticas cotidianas. A partir da fala dos professores, principalmente,
procura-se estruturar aqui, um discurso coerente acerca daquilo considerado fundamento da prática pedagógica da escola. Partir daquilo que já está aí,
estabelecido na prática dos professores, direção, alunos, servidores e demais
membros da comunidade escolar, para chegar àquilo que ainda não está realizado,
a missão da escola, seu sonho. De uma maneira diferente, cada um dos segmentos
foi convidado a oferecer sua colaboração a esta elaboração. De modo que, o
projeto aqui apresentado é uma articulação de falas e lugares diferentes dentro
da mesma escola.
O colégio tem como finalidade possibilitar que os alunos adquiram os
conhecimentos da arte, ciência, cultura e da tecnologia, desenvolvam as habilidades para operá-los,
revê-los, transformá-los e redirecioná-los em atitudes sociais - cooperação,
solidariedade, ética - tendo sempre como horizonte colocar as transformações científicas, culturais e sociais a serviço da humanização da sociedade.
Num Projeto Político Pedagógico,
há pressuposta, ou explícita, uma concepção de como deve ser homem, ou uma
concepção do que ele é, efetivamente. Partindo da própria prática nesta escola,
os elementos mais indicados no seguimento professores, para a compreensão do
‘homem’, foram os seguintes: racionalidade, liberdade, cooperação, objetividade,
trabalho, lazer.
O foco da ação da escola
tem sido articular, como princípios formadores, duas ideias: a de uma
racionalidade, inerente a cada ser humano e, a ideia de liberdade. Mas a
racionalidade é a principal fonte de sentido para a ação escolar, é com esta
lente que os professores enxergam os alunos – como seres eminentemente
racionais. A formação intelectual, apesar de considerar a presença de outros
elementos estruturantes, tais como o desejo e o lazer, parte fortemente da
concepção de que o aluno é um ser racional e como tal, há uma esperança e um
esforço para que ele desenvolva-se como ser racional. A liberdade foi apontada
como principio da ação da escola, mas ligada à razão. Assim sendo, não fica
difícil enlaçar uma na outra, entendendo que na prática cotidiana, o aluno é
concebido como racional e livre, portanto capaz de assumir compromissos
livremente, inclusive com a própria formação. A articulação entre racionalidade
e liberdade, permite a afirmação de que sem uma responsabilização dos alunos
por sua própria ação, não há pedagogia eficaz. Nisto assenta-se muito da
pedagogia praticada nesta unidade de ensino.
Uma educação que preconiza
a responsabilidade como articulação possível das dimensões da racionalidade e
da liberdade, supõe que o aluno é capaz de interferência no mundo, seja ela
construtiva ou destrutiva. O mundo se apresenta como objetividade a ser
transformada pelo aluno. Tanto o mundo cultural, quanto o natural mostram-se à
consciência racional como objetividade a ser modificada. Mas de uma forma a
atender as necessidades do grupo humano, sem perder sua capacidade de se
reproduzir enquanto mundo natural. A objetividade do mundo se abre para a ação
do homem como resultado de uma articulação entre racionalidade e liberdade, ou
seja, a objetividade do mundo é uma objetividade derivada, não é em si mesma,
mas por causa daquilo que o próprio homem concebe como objetivo. Ou seja, o
discente concebido sob este ponto de vista, é partícipe de um processo
formativo que o responsabiliza por aquilo que o mundo está se tornando, mas
também conhece as possibilidades de intervenção nesse processo produtivo do
mundo e de si mesmo.
Faltaria, ainda,
considerar o decurso da vontade, expresso no questionário pelo termo desejo.
Conhecer os mecanismos de transformação do mundo não faculta ninguém a agir em
vista de um determinado fim, seja ele coletivamente articulado ou não. O uso
cínico destas informações expressam-se naqueles comportamentos egoístas, que
não medem esforços para realizarem suas vontades, mas somente suas vontades,
ignorando as necessidades dos próximos; o uso clínico do saber inclui a procura
por organizações que compartilhem ideais ou utopias de mudança, não para
satisfazer nossa vontade exclusiva, mas as necessidades de cada um e de todos
os humanos. Mas pode-se ir além destas considerações, afinal quando alguém
concebe o mundo como resultado de sua ação livre e responsável, ele se dá conta
que é no mundo juntamente com outros, que ele já recebeu um conjunto de coisas
prontas ao seu redor. Esse outro é apresentado como alguém que depende do seu
trabalho, de sua ação, e que também colabora com ela. É daí que se extraiu a
cooperação com um elemento fundante para a formação do discente. O mundo não é
resultado de sua ação somente. Então, seria oportuno, enfatizar que o despertar
da vontade (desejo) de cooperação deveria ser uma constante busca na
articulação dos trabalhos pedagógicos. Do ponto de vista filosófico, portanto,
a concepção de homem que permeia o trabalho docente articula os conceitos de
racionalidade, tal qual está proposto em René Descartes, liberdade e
responsabilidade pensados num formato liberal, que abrem a perspectiva da
cooperação como via de sobrevivência, e como condição para construção de uma
vida melhor, conforme sustenta uma concepção moderna de humanidade.
A sociedade na qual este
indivíduo está inserido, na qual desempenha um papel como articulador de
algumas possibilidades de transformação, é marcada fortemente por
individualismos, preconceito e exclusão (econômica, social, cultural). O que
mais preocupa os docentes é o risco de trazer para seu trabalho estes
elementos. Tentando combater formas antigas e arraigadas de preconceito, se
envolver na promoção de outras. A aula não pode ser fomento à discriminação, ao
individualismo e ao preconceito. O que se pensa, nesta escola, é que só num
ambiente de democracia, em que os diversos segmentos usufruem de uma igualdade
de direitos e obrigações, é possível alcançar de forma precisa os objetivos
pedagógicos nela articulados.
Existe, ainda, na escola,
uma importante reflexão acerca de uma moralidade, encarnada em sua prática,
esta reflexão problematiza a importância de muitos valores morais tradicionais
e da eleição de novos, e vice--versa. O termo amoralidade pode sugerir que no
cotidiano da escola, observa-se frequentemente um vazio moral tanto da parte
dos alunos quanto da parte dos docentes. Na fala da maioria das pessoas, o
certo e o errado foram substituídos por legal ou ilegal e bonito ou feio, essa
mudança sugere uma subjetivação intensa do julgamento a respeito do que pode ou
não ser feito. Como foi dito acima, uma reflexão acerca da racionalidade e da
liberdade como elementos identificatórios do ser humano, deve acompanhar uma
discussão sobre a moralidade inerente a cada escolha, sobretudo quando se está
envolvido num processo formativo. Apesar da sociedade aparecer como reflexão
para a maioria dos professores, ela não pode ser reduzida exclusivamente a um
produto do pensamento, ela é reconhecida, nas respostas dadas, como algo
relativamente objetivo. Ela não é só uma abstração.
A prática escolar da
unidade de ensino tem se caracterizado por uma busca de equilíbrio de funções,
por uma liberdade pedagógica e por um planejamento flexível. Também se
caracteriza, fundamentalmente, no campo pedagógico, pela predominância de
decisões coletivas. Somente num ambiente de liberdade e responsabilidade é que
se pode falar de respeito mútuo, e este é o desejo mais claro que os docentes
têm atualmente. A identidade de uma instituição pública de ensino precisa
permear estes três pilares: planejamento flexível, liberdade pedagógica e
equilíbrio de funções, do contrário não há muitas possibilidades para assegurar
a atualidade de sua identidade. Não dá para fazer discurso de escola nova (não
no sentido de escolanovismo, do inicio do século XX), alimentando uma escola de
estruturas envelhecidas. Nesse sentido, a acessibilidade aos vários setores da
escola, desde o acesso físico ao prédio até a facilidade em ser ouvido e
atendido (quando for o caso) precisa ser garantida. Transparência, organização,
dedicação à pesquisa, comunicação e estabelecimento de parcerias, tanto com o
setor público e privado, são elementos constituintes da prática escolar. E
delineiam traços da identidade de uma escola que procura a consonância com seu
tempo.
O Projeto Político Pedagógico da construção coletiva dos
atores da educação escolar demonstra ser a tradução que a escola faz de suas
finalidades, a partir das necessidades que lhe estão colocadas, com o pessoal -
professores/alunos/equipe pedagógica/pais – e com os recursos de que dispõe.
Esses elementos todos são mutáveis, modificam-se de ano para ano, no mesmo ano;
de escola para escola, na mesma escola. Por isso, o projeto nunca está pronto, mas em construção. Nele,
a equipe vai depurando, explicitando, detalhando a inserção dessa escola na transformação social
que pretende empreender, sem esquecer o alcance que o Conselho Escolar da
instituição possui.
O Projeto Político Pedagógico somente ganha consistência
e solidez à medida que vai captando sistematicamente a realidade na qual se
insere. Dessa forma, é necessário que realizemos continuamente diagnósticos
dessa realidade, sendo estes, instrumentos importantíssimos nessa construção.
Investigação cotidiana, que não se cristaliza e que não se encerra na constatação da realidade, mas
que a interpreta - o que
supõe conhecimento, posicionamento teórico e prático da comunidade escolar.
Ao elaborar coletivamente
o projeto pedagógico da escola, é possível identifica durante o diagnóstico, um
grande desconhecimento quanto à realidade da comunidade escolar em que estamos
inseridos. Percebe-se que nós mesmos, professores da escola, reproduzimos tacitamente
muitos estereótipos que circulam na sociedade envolvente, reduzindo a
existência coletiva de uma dada comunidade ao jargão “comunidade pobre e
carente”.
Qualificar alunos
como parte desta “indefinição” (ao considerar que a expressão quase nada nos
diz) prejudica uma prática educativa efetiva já que os percebe sob um olhar
míope que desconsidera a complexidade desta vivência comunitária e os laços
identitários que a constituem. Buscando se aproximar desta realidade, evidencia-se
a idéia do “Conhecer para melhor educar”, momento em que se busca elementos
para direcionar a percepção acerca de nossa comunidade escolar.
Obter informações
que passaram a subsidiar as atividades da escola, indicando que um trabalho que
dialogue com a comunidade escolar é aspecto essencial para efetivar mudanças
favoráveis no processo pedagógico, rompendo com estereótipos que limitam as
ações educativas.
Não custa lembrar
que “educar é estar mais atento às possibilidades do que aos limites”.
Os limites se sobrepõem às possibilidades quando não conseguimos conciliar as
atividades de sala de aula com os espaços do cotidiano e outras dimensões da
vida do aluno. Apostando nas possibilidades entendemos, entretanto, que
“como princípio educativo, a ética só é eficaz quando desiste de formar
pessoas “honestas”, “caridosas” ou “leais” e reconhece que a educação é um
processo de construção de identidades”. Por essa razão, entendemos ser
fundamental para uma educação de qualidade, a compreensão crítica acerca da
cultura local em que o aluno se insere, colocando em diálogo escola e
comunidade.
Pensando a educação
como fenômeno identitário, busca-se evidenciar em nossa escola a importância de
um exercício de pesquisa atento à valorização da cultura local, indicando este
como caminho possível para uma prática pedagógica significativa. É salutar
acreditar que a partir do intercâmbio entre experiências pedagógicas concretas,
metodologias acadêmicas de pesquisa e ações conjuntas com a comunidade, podemos
avançar na construção de atividades pedagógicas voltadas para a realidade local
e direcionadas por uma visão interdisciplinar que pode re-significar o
cotidiano escolar. Acreditamos que estas ações são de grande importância na
comunidade para qual se destina já que possibilitam que os alunos se
identifiquem com os temas trabalhados e se sintam valorizados em sua
diversidade, percebendo a realidade de maneira mais complexa e cumprindo a
função social que cabe à escola.
Em
relação à apresentação de sugestões para o trabalho
pedagógico, alguns professores admitiram que não se sentem participantes na
gestão da escola, acabando por segmentar funções, apesar de reconhecerem que o
espaço para participação nas decisões é aberto à toda a comunidade escolar;
outros consideram que a sua participação é satisfatória e que contribuem para a
resolução dos problemas cotidianos. Quanto à participação nas atividades
definidas coletivamente, os professores reconhecem que há resistência por parte
de alguns docentes e que falta uma melhor comunicação quanto a algumas
atividades; a maioria considera, porém, que as decisões coletivas são aceitas,
considerando-as como soberanas por compreenderem que o respeito ao coletivo é a
maneira mais eficiente de se combater posturas autoritárias dentro da escola.
À comunidade local fica assegurada a participação na gestão democrática
de forma representativa, quando são destinadas algumas cadeiras na composição
de órgãos colegiados dentro da unidade de ensino, como está previsto na lei de
gestão democrática das escolas públicas do Distrito Federal:
Art.
2º A gestão
democrática da Rede Pública de Ensino do Distrito Federal, cuja finalidade é
garantir a centralidade da escola no sistema e seu caráter público quanto ao
financiamento, à gestão e à destinação, observará os seguintes princípios:
I – participação da comunidade escolar
na definição e na implementação de decisões pedagógicas, administrativas e
financeiras, por meio de órgãos colegiados, e na eleição de diretor e
vice-diretor da unidade escolar;
Essa
mesma lei delimita quem são os indivíduos considerados a comunidade escolar,
que compreende as pessoas que compões tanto o ambiente escolar como a
comunidade escolar:
Art.
3º Para os
efeitos desta Lei, especialmente no que tange à habilitação como eleitores,
entendem-se por comunidade escolar das escolas públicas, conforme sua
tipologia:
I – estudantes matriculados em instituição
educacional da rede pública, com idade mínima de treze anos e frequência
superior a cinquenta por cento das aulas no bimestre anterior;
II – estudantes matriculados em escolas
técnicas e profissionais em cursos de duração não inferior a seis meses e com
carga horária mínima de 180 horas, com frequência superior a cinquenta por
cento das aulas no bimestre anterior;
III – estudantes matriculados na
educação de jovens e adultos com frequência superior a cinquenta por cento das
aulas no bimestre anterior;
IV – estudantes matriculados em cursos
semestrais, com idade mínima de treze anos e frequência superior a cinquenta
por cento das aulas no semestre em curso;
V – mães, pais ou responsáveis por
estudantes da Rede Pública de Ensino, os quais terão direito a um voto por
escola em que estejam habilitados para votar;
VI – integrantes efetivos da carreira
Magistério Público do Distrito Federal em exercício na unidade escolar ou nela
concorrendo a um cargo;
VII – integrantes efetivos da carreira
Assistência à Educação, em exercício na unidade escolar ou nela concorrendo a
um cargo;
VIII – professores contratados
temporariamente pela Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal –
SEDF em exercício na unidade escolar por período não inferior a dois bimestres;
Parágrafo
único. Os
grupos integrantes da comunidade escolar discriminados
neste artigo organizam-se em dois
conjuntos compostos, respectivamente, por
aqueles
descritos nos incisos de I a V e aqueles constantes nos incisos de VI a VIII.
Conforme preconiza (Galina,
p.13) O Conselho de Escolar
figura dentro as funções consultiva, normativa e deliberativa do Conselho
Escolar serve-se muito bem como um colegiado que coordenaria as ações da
construção da democracia da escola:
É um órgão colegiado, representativo da
Comunidade Escolar, de natureza deliberativa, consultiva, avaliativa e
fiscalizadora. Ele dá pareceres referentes ao trabalho de organização e
realização do trabalho pedagógico e administrativo da instituição escolar, em
conformidade com as políticas e diretrizes educacionais da SEED, observando a
Constituição, a LDB, o ECA, o Projeto Político-pedagógico e o Regimento
Escola/Colégio , para o cumprimento da função social e específica da escola
(Estatuto do Conselho Escolar, 2005). O Conselho Escolar é a instituição que
coordena a gestão escolar, especialmente no que diz respeito ao estudo,
planejamento e acompanhamento das principais ações no dia-a-dia da escola. É um
espaço privilegiado para o exercício da vivência cidadã e apropriação de
diferentes saberes que favorecem a democracia.
Em
(BRASIL.
Secretaria de Educação Básica, p. 22), podemos entender qual a missão dos
órgãos colegiados, e o porquê de eles existirem, pontuando inclusive a função de
definir as políticas de educação na área de sua competência:
Na
educação, essa organização de espaços colegiados se realiza em diferentes
instâncias de poder, que vão do Conselho Nacional aos Conselhos Estaduais e
Municipais, e Escolares. Esses espaços organizações são fundamentais para a definição
de políticas educacionais que orientem a prática educativa e os processos de
participação, segundo diretrizes e princípios definidos nessas várias
instâncias. A construção de uma escola pública democrática, plural e com
qualidade social (veja Caderno 2) demanda a consolidação e o
inter-relacionamento dos diferentes órgãos colegiados.
A gestão
democrática avoca o diálogo de pessoas para solução de conflitos. A gestão
contemporânea impõe novos parceiros de consulta o deliberação, tipo o conselho
escolar, a associação de pais e mestres, conselho do fundeb etc.
Portanto a gestão
democrática fica associada como a gestão de uma administração concreta. O
gestor educacional aclama seus pares e instâncias para deliberarem sobre os
rumos do colégio, no que todos trazem as suas contribuiçõs. Logo a escola se
desenha como o vero local do exercício de construção democrática.
(GALINA, p.13) também lembra a
necessidade do presidente do Conselho Escolar evitar que ele mesmo seja o único
a propor, refutar ou referendar monocraticamente as proposições do conselho,
chamando todos a importância e necessidade de que todos tenha voz e vez nas
reuniões do dito conselho:
Para que as decisões do Conselho
Escolar não sejam monopolizadas pelo diretor, seu presidente nato é necessário
que haja a conscientização dos segmentos envolvidos. Isso de certa forma começa
a acontecer.
Os Conselhos Escolares não estão sozinhos na sua empreitada, já que a sua
própria existência e a contrapartida dos governantes está atrelada a programas
que fomente as ações desses conselhos, de cujos programas extrai-se o contido
no (BRASIL.
Secretaria de Educação Básica, p.29-30) que diz que
O Programa
Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares visa estimular a criação e a
consolidação dos Conselhos Escolares já existentes em muitas escolas do país,
como um apoio e impulso
na
democratização da educação e da gestão da escola
Ainda explorando a importância dos Conselhos Escolares no (BRASIL.
Secretaria de Educação Básica, p.31) aponta o alcance social e até
mesmo corporativo, quando reivindica anseios do corpo docente, dessa
instituição como órgão colegiado fica razoável uma importância inclusive além
do que se possa imaginar desse colegiado:
A atuação consistente desses Conselhos implica a consideração e o apoio
a outras lutas, tais como as desenvolvidas por condições materiais satisfatórias
de infra-estrutura das escolas, valorização efetiva dos profissionais da
educação (formação continuada e salários dignos), entre outras, que devem ser
igualmente fortalecidas e encaminhadas pelos organismos sociais competentes
(sindicatos, associações de educadores, entidades acadêmico-científicas da área
educacional). Certamente, esse tipo de programa não pode substituir políticas
públicas de maior amplitude e alcance, mas ele poderá plantar sementes que
alimentarão uma nova prática escolar, prática esta que, a depender da vontade
política e da ação concreta dos envolvidos no processo, poderá ter
desdobramentos muito positivos no dia-a-dia das escolas e das comunidades por
ele atingidas.
Está claro que das
instituições colegiadas que compõem a comunidade escolar, donde se extraem o
Conselho de Classe, o Grêmio Estudantil, a APM e o Conselho Escolar, esse
último se destaca pela sua abrangência e sua atuação. Sem desmerecer os demais
órgãos, essa instituição é a que mais pode ser aproveitada na gestão
democrática, uma vez que suas atribuições são bastante importantes.
Referências bibliográficas
BRASIL. Secretaria de Educação Básica. Programa de Fortalecimento dos
Conselhos Escolares. Caderno 1, Brasília,
nov/2004. Disponível em http://portal.mec.gov.br/seb/index.php?option=content&task=view&id=337&Itemid=319.
acesso em: 10/01/2013.
BRASIL. MEC. Gestão Democrática da Educação. Boletim
19, Brasília, out/2005.
DISTRITO
FEDERAL. Lei nº 4.751. Brasília,
2012.
GALINA, I. F. Instâncias Colegiadas: Espaços de
Participação na Gestão Democrática da Escola Pública.
SOUZA, A. R. Explorando e Construindo
um Conceito de Gestão Escolar Democrática. Educação em Revista. v.25, n.03.,
p.123-140, Belo Horizonte, dez/2009.